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Sentido de Justiça
Sentido de justiça
O termo justiça designa, de uma forma geral, o respeito pela igualdade de todos os cidadãos. É o princípio básico de um acordo que visa manter a ordem social, através da preservação dos direitos em sua forma legal. Assumimos assim que justiça reúne legalidade e igualdade, ou seja é tão justo o que cumpre a lei, quanto aquele que realiza igualdade.
No que respeita a legalidade, o cumprimento de justiça obtém-se perante a aplicação da lei. Lei do homem, que obedece à moral e aos costumes vigentes em determinada época e local, o que implica a adaptabilidade ao longo dos tempos, bem como a aplicabilidade mediante o sistema vigente. Sempre ouvimos notícias chocantes de como, em países do Médio Oriente, mulheres são condenadas a ser chicoteadas por vestirem calças, ou por mostrarem os ombros. Para eles, um homem ser condenado por bater na mulher, tal como ocorre no ocidente, é absurdo. Não viso apoiar ou recriminar nada do que ocorre, – o julgamento, esse deixo à consideração de cada um - apenas pretendo exemplificar o que referia quanto à permeabilidade da lei se a observássemos por um prisma único e universal.
Contudo, se olharmos sob o prisma da igualdade, constatamos que o sentido de justiça é aplicável todos os dias e por cada um de nós. Convém relembrar que igualdade é um conceito relacional, ou seja que sempre se refere a um outro, é a apetência em nos colocarmos no lugar dos outros a fim de melhor compreender cada acção. Ora, já todos puderam experienciar na primeira pessoa, quão difícil consegue ser o assumir desse papel. Afinal, nunca saberemos exactamente como reagiríamos, até viver determinado momento. Mas, o que torna tão difícil a percepção de um sentido de justiça imparcial em situações que nos afectam? Simples, a existência de um alter-ego em cada um de nós, ou como diria S. Tomás de Aquino a impossibilidade de cometer uma injustiça contra si mesmo. Talvez o altruísmo seja razão para muitas vezes pensarmos o contrário, mas num conflito ou em qualquer situação que nos afecte directamente, a nossa mente impele-nos a ver a justiça apenas pela nossa perspectiva singular, impedindo muitas vezes uma resolução imediata.
Daí que seja sempre importante que a pessoa mais clarividente, não recuse dar um passo atrás e fazer com que o outro também veja o que ele vê. A consciência, enquanto factor de análise realidades, é uma boa sinalizadora do sentido de justiça. Como dizia Abraham Lincoln: “ Sempre achei que a clemência trazia frutos mais ricos do que uma justiça estrita! “
Novembro 03, 2009
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